-Jornal O GLOBO e Instituto de pesquisa DATAFOLHA são denunciados na tribuna do Senado Federal por ter agido com “escandalosa manipulação da opinião pública”, interferindo assim, nas eleições para prefeito da cidade do Rio de Janeiro
6 novembro, 2008 Deixe um comentário
por PAULO TEIXEIRA
Até quando o Brasil vai ficar subordinado à ditadura das Organizações Globo ?
Leia a matéria abaixo:
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores,Senhoras e Senhores e telespectadores da TV Senado,Senhoras e Senhores ouvintes da Rádio Senado.Senhoras e Senhores que nos honram com suas presenças neste Plenário.
Hoje, passado o tumulto das paixões e superada a luta motivada pelos interesses eleitorais, venho trazer meu depoimento pessoal e denunciar as trágicas ocorrências verificadas na eleição para prefeito da cidade do Rio de Janeiro.
Nunca se viu, nem se podia imaginar que um dia ocorresse, um ataque tão brutal, tão vil, como o que foi vítima o meu partido. A mais impiedosa campanha já movida pelo jornal “O Globo” contra uma candidatura, que desrespeitando a lei, desacatando decisões do tribunal eleitoral promoveu, Deus sabe com que intenções, uma escandalosa manipulação da opinião pública, contribuindo decisivamente para que as eleições terminassem num melancólico crepúsculo, com 800 mil eleitores se abstendo de ir às urnas no primeiro turno e quase 1 milhão no segundo, certamente, grande parte deles, desalentados por constatarem, estarrecidos, tamanha interferência ilegal e imoral de um jornal no processo eleitoral.
Não quero ser fastidioso e nominar, uma a uma, as notícias que diariamente, ao longo de três meses de campanha, procuraram denegrir minha imagem, deturpar minhas palavras, desconstruir nossa aliança partidária, minar os apoios e, sobretudo e principalmente, conduzir a opinião pública para uma posição de rejeição automática, robotizada e neurótica.
Me limitarei a assinalar, a título de exemplo, apenas uma delas. O jornal “O Globo” noticiou, em matéria de capa e em diversas edições, que os candidatos Claudinho da Merindiba, Claudinho da Academia e Deco, pertencentes a partidos da nossa coligação, além de ligados a bandos criminosos, possuíam extensa ficha criminal. Era falso.
Hoje, mais uma vez, venho a público para desmascarar esse gesto de mediocridade moral e intelectual que repugna a consciência carioca, uma trama mentirosa e cerebrina, cavilosamente urdida e destinada a apontar ao povo minha suposta ligação com milícias e traficantes.
É assim que eles se monstrificam, instituem o jornalismo onipotente para agredir, aviltar, sem harmonizar os impulsos da liberdade com os imperativos da ordem, da decência e da lei; o direito de liberdade de imprensa com outro direito, que o antecede e a ele se sobrepõe, que é o direito à dignidade humana, fundamento moral da democracia e atributo sagrado do mundo civilizado.
Os candidatos escandalosamente caluniados pelo “O Globo” na sanha desvairada para denegrir minha candidatura, não respondiam nem respondem a qualquer processo, não foram sequer indiciados, jamais processados e muito menos condenados.
Os algozes do jornal, cegos pelo ódio e afoitos na orgia histérica, na precipitação ensandecida, na motivação de mais uma investida insensata para detratar a honra alheia, não apuraram corretamente as informações e confundiram pessoas homônimas, imputando a inocentes a pecha de criminosos, com a desfaçatez dos irresponsáveis, valendo-se de matérias jornalísticas descabidas e oprobriosas.
Senhoras e senhores senadores, esse é apenas um exemplo. O caso foi levado de pronto ao Tribunal que condenou o jornal a publicar a mesma foto, na mesma página, no mesmo dia da semana, para desmentir a noticia infamante. Ainda assim o jornal não cumpriu a ordem judicial.
Se provado estava que a notícia era falsa, e se a missão de um jornal deve ser, em respeito aos leitores, o de total compromisso com a verdade que as circunstâncias possibilitem apurar, por que, pergunto, por que não cumpriram a sentença e resgataram a verdade? Eu mesmo respondo, porque, senhoras e senhores, o interesse não era informar, mas o de manipular o resultado das urnas. E assim foram todos os dias do período eleitoral. Um acender incessante de fogueiras. Citei apenas uma notícia, uma entre tantas outras já que todas as letras de cada palavra e todas as palavras de cada frase, e frases de cada artigo, vinham invariavelmente escorrendo a baba envenenada do ódio.
É justo indagar: onde está a origem desse estranho rancor, desse ódio imbatível, dessa incansável e implacável determinação de me perseguir a qualquer preço, mesmo que isso cubra, mais uma vez, com a lama da desonra pública, com a vergonha da mentira por fim desmascarada, esse jornal faccioso e inimigo jurado do meu mandato, diante de uma atônita e constrangida opinião pública?
Novamente a verdade dos fatos infringe derrota a esses indignos que denigrem o padrão intelectual, a honra e a tradição da imprensa da nossa terra. Agindo dessa forma, não atentam apenas contra mim, mas praticam também o esbulho acintoso e ultrajante do direito do povo de participar de um processo eleitoral escoimado do entulho de mentiras, e decidir o seu destino através do sufrágio universal, direto e secreto.
E vou além, sinto-me no dever de dirigir a palavra aos algozes, que atendem pelo nome de Rodolfo, editor-chefe, Ancelmo Góes, Ana Paula e Mariana Freitas, das editorias, desinibidos detratores da dignidade alheia, para informá-los de que prosseguirei sob a inspiração dos meus ideais na luta pela redenção do nosso povo, sobretudo os mais pobres. Subo e continuarei subindo os morros rumo às comunidades carentes do Rio, como exercício da minha cidadania e direito inalienável da minha liberdade, sem ter que pedir permissão ao tráfico ou a milícia, que não reconheço, não respeito e não temo.
Faço isso por dever imposto pela minha vocação de servir, que se traduz no idealismo e na renúncia que me levaram a me dedicar à Pátria por oito anos como soldado, ao meu próximo por quase dez nas terras longínquas do vasto território africano e, com a mesma devoção, há seis anos no exercício do mandato parlamentar. A mente depravada na impiedade, no egoísmo, na mentira e na injustiça pode não compreender, mas a serviço do povo, a própria vida é o que menos conta.
Como se tudo isso não bastasse, verificando o jornal que os institutos de pesquisa, todos, confirmavam meu nome no segundo turno das eleições, aquelas figuras corvinas de sempre, resolveram alugar um instituto de pesquisa, até então conhecido como sério, para o conluio do golpe derradeiro. O instituto Datafolha às vésperas da eleição divulga resultado de pesquisa diferente muito acima da margem admitida de erro, dos demais institutos sérios, promovendo meu adversário a uma situação de empate técnico, numa descabelada operação para manipular o resultado das urnas.
Aquele instituto que se achava sério, que tinha o respeito dos eleitores e candidatos, muda descaradamente, a gosto de seu marioneteiro, os percentuais de eleitores com nível superior de educação e renda familiar, acrescendo-os em cerca de 10%, apenas com o intuito de prejudicar nossa candidatura.
Era a fagulha para coagular a rejeição urdida nos meses de diário noticiário infamante. A falsa pesquisa teve seu resultado divulgado de modo inédito, com estrondoso alarde, na capa dos jornais, nos noticiários do rádios e nos programas de maior audiência da Tv das organizações globo, tudo isso com a pompa e a solenidade de uma trombeta apocalíptica.
Era o fim senhor presidente de uma campanha que o PRB e seus pequenos partidos aliados, empreenderam com altivez e incansável denodo, superando a falta de recursos, de tempo de televisão e rádio, de material gráfico e publicitário, mas compensada por uma militância voluntária, devotada e fiel que superando todos esses obstáculos, percorreu aquele campo minado em que se transformou a campanha eleitoral do Rio com a fibra de um gladiador.
Esse caso do datafolha, e quem se propõe a isso senhor presidente, perdeu os limites do bom senso e da lisura, precisa ser investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Tenho horror ao arbítrio e a truculência e estou entre os que mais sofrem com isso. Mas é preciso investigar, apurar, quebrar sigilos, legislar e prevenir futuras iniqüidades para garantir o sacro-santo exercício constitucional do voto, princípio fundamental de uma democracia, de um Estado Democrático de Direito.
Ao Tribunal Regional Eleitoral apelo por providências. Nada há mais desalentador do que o silêncio dos homens da lei diante da mais desavergonhada campanha de injúrias, infâmias, calúnias e insultos promovida por um jornal contra um candidato.
Tais fatos estão mais do que provados em levantamentos publicados pelo IUPERJ e constatados até por adversários políticos, como consta no ex-blog assinado pelo prefeito César Maia. Nada conspira mais contra as esperanças do nobre e generoso povo brasileiro, na sua imensa maioria pobre, humilde e ordeiro, do que uma justiça que atua com morosidade, um tribunal agachado, reticente, dócil e hesitante diante dos poderosos.
Por isso, apelo aos nossos magistrados para que cumpram o seu dever. Examinem os autos, meditem, reflitam, julguem à luz das leis e decidam com inabalável e elevada moral, inspirados nos ideais de Rui Barbosa, que nos alertou, com lição imortal, sobre os perigos da violência, da insensatez, do arbítrio e, sobretudo e principalmente, do horror a todas as formas de tirania, que extravasam sempre na intolerância, na opressão, na truculência e na calúnia. Restituam a lisura e a ética ao processo eleitoral, a justiça aos condenados sem culpa, a liberdade aos que querem trabalhar e levar ao povo suas propostas políticas sem as agressões da prepotência e da intolerância.
Devo me dirigir também aos cariocas, primeiro para agradecer os mais de 600 mil votos que recebi e que tanto honrar e engradeceram nossos partidos. Segundo, para lamentar ter que lhes expor aos constrangimentos da divulgação desses fatos, mas como representante legítimo dessa terra, eleito pela soberana vontade do povo na sentença das urnas, não posso me permitir, que diante da afronta dos poderosos, abaixar a cabeça, me intimidar ou agachar, para que amanhã, defronte da coação de outros poderes, possa estar à altura de defender seus legítimos e justos anseios, pelos quais empenhei a minha honra, no juramento do meu mandato.
Senhor presidente ao encerrar essas palavras, ergo os olhos aos horizontes sem fim da esperança para reafirmar minha fé nos destinos do meu Pais. Dizia Adenauer que a maior virtude que Deus pode dar a um homem público é conferi-lhe couro de elefante. Quero superar mágoas e esquecer ressentimentos para me engrandecer servindo o povo. Apoiei no segundo turno o candidato vitorioso do PMDB, por entender que a causa do Rio não requer intransigência ou radicalismo mas coragem e humildade para construir o futuro. Sei que se trata de uma tarefa ingente que irá requerer a consagração de toda nossa energia num devotamento sem restrições. Estou pronto.
Fonte: Senado Federal [Do Senador MARCELO CRIVELLA (PRB - RJ)]



























